Região 2 inaugura Conselho Regional da Governança Popular do Anexo I.1
Com o apoio da Adai, o espaço foi realizado pela Entidade Gestora, com o objetivo de garantir, de forma eficaz, a atuação dos conselhos e setores
No sábado, 11 de julho de 2026, em Betim, a Entidade Gestora (EG) realizou um espaço para a inauguração do Conselho Regional junto às pessoas atingidas da Região 2 (Betim, Mário Campos, São Joaquim de Bicas, Igarapé, Juatuba e Mateus Leme pelos Povos e Comunidades Tradicionais). A reunião também promoveu um diálogo sobre a priorização dos danos, linhas de crédito e microcrédito, além de discutir ideias para os projetos que serão desenvolvidos no âmbito do Anexo I.1 do Acordo Judicial de Reparação Integral dos danos causados pelo rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, ocorrido em Brumadinho.
A Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (Adai), Assessoria Técnica Independente (ATI) das pessoas atingidas da Região 2 da Bacia do Rio Paraopeba, esteve presente no processo de mobilização e no apoio às consultas prévias, livres e informadas, garantindo toda a logística de transporte para que as pessoas pudessem participar dos espaços de reunião.
A atividade contou a participação de 54 pessoas atingidas adultas e 9 crianças e adolescentes, e foi dividida em três momentos. Na primeira parte, ocorreu a inauguração do Conselho Regional, quando os conselheiros titulares e suplentes receberam seus respectivos termos de posse. Esse foi um momento importante para as lideranças da Região 2, pois, ao receberem os termos de posse, também receberam o reconhecimento da luta coletiva travada ao longo de todo esse período e da importância dessa instância regional.

Foto: Quel Satto/ANAB
Na segunda parte, houve um diálogo entre a Entidade Gestora e as pessoas atingidas sobre quais danos serão priorizados no início da execução dos projetos do Anexo I.1. Foram identificados os problemas considerados mais relevantes por cada Conselho, respeitando as características e as necessidades de cada comunidade. As discussões ocorreram nos Conselhos e Setores da Governança Popular, com base no diálogo, na escuta e na construção de consensos.
A Entidade Gestora apresentou informações técnicas elaboradas a partir dos diagnósticos realizados pelas Assessorias Técnicas Independentes, utilizando indicadores, índices e selos para auxiliar na compreensão da abrangência, recorrência, gravidade e dos impactos dos danos. Esses instrumentos serviram como apoio ao debate, sem substituir a decisão coletiva dos conselheiros e das conselheiras.
João Índio, titular do Conselho Regional da comunidade Aranã, em Juatuba, comentou como o debate transcorreu:
“Hoje foi muito importante! Tivemos muita conversa, falamos sobre ideias de projetos e, no fim das contas, tudo se alinhou. O pessoal entendeu como será o funcionamento e, nas próximas vezes, as coisas vão fluir melhor.”
Considerando os recursos disponíveis e o período de execução do Anexo I.1, a definição de prioridades foi fundamental para orientar as ações iniciais da reparação. Os danos não priorizados permanecerão contemplados em etapas futuras, por meio do Plano de Reparação e Desenvolvimento da Bacia do Rio Paraopeba e da Represa de Três Marias.
Por fim, houve também um breve diálogo sobre linhas de crédito e microcrédito e os projetos, durante o qual os conselheiros e as conselheiras discutiram suas respectivas ideias. Tatiana Rodrigues, integrante do Conselho Local e do Conselho Regional de São Joaquim de Bicas, da comunidade Vale do Sol 1, comentou sobre essa etapa:
“Na discussão sobre a priorização dos danos e dos projetos, elaboramos linhas de possíveis projetos que podem ser executados na Região 2, abrangendo todas as comunidades. Debatemos também a questão da água e da alimentação, além de como vamos manter nossos quintais produtivos.”

Foto: Quel Satto/ANAB
Juliane Sâmia, da equipe da Entidade Gestora do Anexo I.1, comentou sobre as próximas etapas após a realização desse espaço:
“Nos próximos passos, teremos uma reunião específica para que as pessoas atingidas possam detalhar o que cada projeto precisa ter. É importante entendermos que não é possível construir projetos comunitários sem diálogo com as comunidades, os conselhos e os setores.”
A Adai dialogou com todos os conselheiros e conselheiras regionais, organizando a logística e auxiliando nas dúvidas e questões levantadas sobre os objetivos do espaço. Elaine Bezerra, técnica multidisciplinar do Anexo I.1 da Adai, comentou sobre a importância da atividade:
“Foi um espaço riquíssimo, de muito debate, que também apontou as próximas etapas, relacionadas à construção das diretrizes para as linhas de crédito e microcrédito. Nós, da Adai, estamos aqui contribuindo para que as pessoas atingidas tenham uma participação informada e efetiva nos espaços.”
É importante destacar também que este não é um espaço de decisão sobre projetos. Trata-se de um momento para fortalecer a instância regional e retomar os debates que subsidiarão a próxima etapa, dedicada à elaboração das diretrizes dos projetos.

Foto: Quel Satto/ANAB
Texto: Douglas Andrade – Adai/Paraopeba
Foto da capa: Quel Satto/ANAB
