Rurópolis

Em julho, a ADAI, em parceria com o MAB, realizou oficina em propriedade de família beneficiária do projeto Produção Sustentável em Comunidades Atingidas da Amazônia, em Rurópolis (PA). Foto: Coletivo de Comunicação ADAI Amazônia


Por Coletivo de Comunicação ADAI Amazônia

Entre os dias 22 e 25 de julho, família beneficiária do projeto Produção Sustentável em Comunidades Atingidas da Amazônia participou de uma programação de oficinas, capacitações e atividades práticas na Vicinal do Km 75 da Rodovia Transamazônica, no município de Rurópolis, no Pará.

A iniciativa é realizada pela Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (ADAI), em parceria com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), e com recursos do Fundo Amazônia/BNDES.

As atividades foram realizadas na propriedade de Darci Gasparino e Célia Maria, e reuniram momentos de formação teórica e prática voltados ao fortalecimento da agricultura familiar e à adoção de práticas de produção sustentável.

Durante os quatro dias de programação, foram realizadas as oficinas “Práticas em Viveiro Florestal”, “Preparo do Solo e Plantio de Espécies Florestais” e “Irrigação em Sistemas Agroflorestais (SAFs). A programação foi encerrada com um mutirão de plantio, permitindo que os participantes colocassem em prática os conhecimentos compartilhados ao longo das atividades.

As atividades foram realizadas na propriedade de Darci Gasparino e Célia Maria, famílias beneficiárias do projeto, e reuniram momentos de formação teórica e prática. Fotos: Coletivo de Comunicação ADAI Amazônia

Troca de conhecimentos e experiências

As oficinas abordaram diferentes etapas da produção de mudas e da implantação e manejo de sistemas agroflorestais. Entre os conteúdos trabalhados estiveram as práticas de viveiro florestal, o preparo das mudas para o plantio, o preparo e a adubação do solo, a definição do espaçamento entre as covas e as técnicas adequadas para o plantio.

Na oficina sobre irrigação, os participantes conheceram aspectos relacionados à implantação de sistemas de irrigação em SAFs, incluindo os materiais necessários, a organização do sistema e as formas de disposição das mangueiras para melhorar a distribuição da água nas áreas de cultivo.

O mutirão de plantio reuniu as famílias em uma atividade coletiva de implantação das mudas na propriedade. Além de possibilitar a aplicação dos conhecimentos desenvolvidos nas oficinas, o momento reforçou a cooperação, a solidariedade e a troca de experiências entre os participantes.

Para Darci Gasparino, a atividade representou a força do trabalho coletivo e da cooperação entre as famílias. “Ninguém faz nada sozinho. A palavra mais importante que a gente pode usar nesse momento é: gratidão. Esse pequeno grupo fez coisa heroica. Obrigado. O que a gente construiu aqui vai ficar para o resto da vida.”

Mutirão como espaço de organização e aprendizado

Além da contribuição para o trabalho nas propriedades, o mutirão também foi destacado como um espaço de diálogo, formação e organização coletiva.

Segundo o militante Frede Renero, que participou da atividade, a prática tem uma importância que vai além da execução das atividades agrícolas.

“O trabalho de mutirão é importante numa região como a do Tapajós, pois, além de ajudar as pessoas a desenvolverem o trabalho da roça, também é um momento de diálogo, de formação política e de troca de experiências e de saberes.”

Para ele, a experiência também contribui para fortalecer a organização social e popular das famílias. “Esse também acaba se tornando um espaço de organização social, de organização popular e as famílias passam a entender que o processo individual é muito ruim, mas que o processo coletivo não.”

“A palavra mais importante que a gente pode usar nesse momento é: gratidão”, disse o beneficiário Darci Gasparino. Foto: Coletivo de Comunicação ADAI Amazônia

Fortalecimento da agricultura familiar

Para Viviane, profissional de Ciências Agrárias do projeto, as oficinas e os mutirões contribuem para recuperar e fortalecer conhecimentos fundamentais para a agricultura familiar.

“Por meio das oficinas e mutirões nós estamos resgatando a força da agricultura familiar no município. A mão de obra e o conhecimento técnico compartilhado entre as famílias são indispensáveis para a implementação e condução dos plantios, sejam eles agrícolas ou florestais, e ainda agroflorestais.”

Viviane também destaca a importância da atuação coletiva para ampliar a capacidade de trabalho das famílias. “Esses dias trabalhamos e sentimos o poder da coletividade. Cada um fazendo um pouquinho, gera um montante que a família sozinha não conseguiria alcançar.”

A realização das oficinas e do mutirão reforça, assim, a importância da formação técnica aliada à organização coletiva das famílias rurais. As atividades contribuem para a disseminação de práticas voltadas à produção sustentável, à implantação de sistemas agroflorestais e à recuperação produtiva e ambiental das propriedades, ampliando os conhecimentos e as possibilidades de produção das famílias atendidas pelo projeto.

Para saber mais sobre o projeto Produção Sustentável em Comunidades Atingidas da Amazônia, clique aqui.