Oficina da ADAI fortalece práticas agroflorestais e cultivo do cacau em Mocajuba (PA)
A atividade foi realizada em parceria com a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), por meio do Escritório de Cametá. Foto: Coletivo de Comunicação ADAI Amazônia
Por Coletivo de Comunicação ADAI Amazônia
Fortalecer o conhecimento sobre implantação e manejo de sistemas agroflorestais, com destaque para o cultivo do cacau. Esse foi o tema da 6ª Oficina Técnica do Projeto “Produção Sustentável em Comunidades Atingidas da Amazônia”, promovida em 28 de agosto pela Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (ADAI), em parceria com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e com recursos do Fundo Amazônia/BNDES, na comunidade de Campinho do Icatu, no Quilombo São José do Icatu, em Mocajuba (PA).
A atividade também teve como parceira a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), por meio do Escritório de Cametá, e contou com a participação de famílias beneficiárias dos projetos complementares de criação de aves, manejo de açaí e cacau, e irrigação de sistemas agroflorestais (SAFs), além da equipe da ADAI e representantes do MAB.
Na oficina, além do foco no cultivo do cacau em consórcio com espécies frutíferas e florestais, também foram abordadas práticas relacionadas à conservação do solo, recuperação de áreas, diversificação da produção, geração de renda e enfrentamento das mudanças climáticas.
Durante a atividade, a diretora da CEPLAC – Escritório de Cametá, Nilma Silva Borges, apresentou orientações sobre planejamento dos SAFs, espaçamento, sombreamento, poda, adubação, cobertura do solo e prevenção de pragas e doenças. A formação também destacou a importância da diversidade de espécies para o equilíbrio dos sistemas produtivos.
“Tudo se consegue com luta. Se a gente quer o projeto, também precisa ter paciência e colaborar com a equipe quando for solicitado algum documento ou informação. Também depende de nós fazer o projeto dar certo”, destacou Paulo Lisboa Ribeiro, beneficiário do projeto de criação de galinhas.
Conhecimento local e diversidade
A programação também valorizou os conhecimentos das famílias sobre as espécies presentes em seus territórios. Em uma dinâmica de participação, os agricultores escolheram plantas que representam sua relação com a floresta, a alimentação, a geração de renda e a conservação ambiental.
Entre as espécies citadas estiveram castanheira, bacurizeiro, cajueiro, goiabeira, cumaru, ingazeiro, açaí e cacau. Para João de Jesus Silva, o cacaueiro representa uma importante fonte de produção e renda para as famílias.
A oficina também abriu espaço para que os participantes apresentassem preocupações relacionadas às condições de produção em seus territórios, incluindo a pulverização de agrotóxicos em áreas próximas às propriedades.
“Eu já tenho pouca coisa e, se matarem, eu não tenho nada. Eu tenho essa preocupação também com nossas árvores nativas que quero plantar e preservar, mas no nosso arredor estão derrubando tudo”, relatou Juvêncio Cabral Magalhães, beneficiário do projeto de irrigação de SAFs.


Participantes também expressaram preocupações relacionadas às condições de produção em seus territórios, incluindo a pulverização de agrotóxicos. Fotos: Coletivo de Comunicação ADAI Amazônia
Aprendizado na prática
Após a formação teórica, os participantes visitaram a área produtiva de Odércio Monteiro Silva, também beneficiário do projeto de irrigação de SAFs. No local, foi possível observar o cultivo consorciado de pimenta-do-reino, cacau, manga, cupuaçu, andiroba, açaí e outras espécies.
A atividade prática permitiu demonstrar técnicas de poda do cacaueiro, manejo do sombreamento, cobertura permanente do solo e aproveitamento da matéria orgânica, aproximando os conteúdos apresentados da realidade das famílias.
A 6ª Oficina Técnica reforçou a importância da formação continuada, do acompanhamento técnico e da participação das famílias para o desenvolvimento dos projetos complementares. A experiência também evidenciou que muitos dos conhecimentos relacionados aos sistemas agroflorestais já estão presentes nas práticas tradicionais das comunidades.
Saiba mais sobre o Projeto “Produção Sustentável em Comunidades Atingidas da Amazônia”, clicando aqui.
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