A ligação do campo e cidade: agroecologia para uma saída ao grande latifúndio. Formação destaca a luta por uma Amazônia viva, contra o veneno e a opressão. Foto: Coletivo de Comunicação Adai Amazônia


Por Coletivo de Comunicação Adai Amazônia

Em alusão ao Dia da Amazônia, celebrado no dia 10 de setembro, a Escola Estadual Antônio Castro Oliveira, localizada no bairro do Zerão, em Macapá, foi palco de uma atividade pedagógica focada nos princípios da agroecologia, sustentabilidade e valorização cultural.

A iniciativa foi realizada pela Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (Adai), em parceria com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), e conta com recursos do Fundo Amazônia e do BNDES. A ação teve a participação atenta de alunos do 6º e 7º anos, professores, pais e encarregados de educação, além da mobilizadora Lúcia e do MAB Amapá.

No centro do pavilhão desportivo da escola, foi montada uma “mandala da fartura”, representação didática da diversificação de culturas e do manejo sustentável da terra promovido pela agricultura familiar na região amazônica.

Durante as reflexões, abordou-se a importância do projeto Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS) — financiado pelo Fundo Amazônia e executado nos municípios de Porto Grande e Ferreira Gomes — como instrumento de capacitação técnica para as famílias da região.

O encontro enfatizou a relação indispensável entre o campo e a cidade, sensibilizando os jovens para o fato de a segurança alimentar urbana depender diretamente do trabalho sustentável dos pequenos produtores. Desta forma, a agroecologia foi apresentada como uma alternativa viável e necessária em contraponto ao modelo do agronegócio, da monocultura de soja e da concentração latifundiária de terras.

Valorização da cultura regional

As reflexões sobre o campo foram acompanhadas por apresentações culturais que demonstraram que o meio rural e as comunidades tradicionais também produzem conhecimento e identidade. O Marabaixo foi apresentado pelos estudantes José e Ketlen. A dança constitui uma das principais expressões culturais da população negra do Amapá, representando a memória, a resistência e a identidade local através de tambores, cantigas e festas transmitidas entre gerações.

Em seguida, a capoeira foi levada ao pavilhão pelos estudantes Evelin e Jefferson. Esta manifestação cultural brasileira combina luta, dança, música e acrobacias, tendo sido desenvolvida no Brasil por africanos escravizados e seus descendentes durante o período colonial como forma de expressão e resistência.

A programação cultural incluiu ainda o carimbó, interpretado pelas alunas Flávia, Eloah, Haloisa, Sarah e Evelin. Típica do Pará e fruto da fusão entre as culturas indígena, africana e europeia, esta dança marcada por trajes coloridos, saias rodadas e tambores curimbós foi reconhecida em 2014 como Património Cultural Imaterial do Brasil pelo IPHAN.

A atividade na Escola Estadual Antônio Castro Oliveira encerrou com uma síntese de todas as abordagens apresentadas ao longo do dia. O evento reforçou junto dos alunos a relevância da preservação ambiental, do fortalecimento da agricultura familiar sustentável e do respeito pela memória e cultura dos povos da Amazônia.