Equipe técnica participa de oficinas sobre sementes e bioinsumos em Rondônia
Equipe técnica da ADAI na mata do reassentamento Santa Rita.
A equipe técnica do projeto Produção Sustentável em Comunidades atingidas na Amazônia estiveram reunidos em Porto Velho (RO) entre os dias 26 e 30 de maio para a segunda rodada de capacitação e formação, além da etapa de planejamento e balanço das ações do projeto.
Esta etapa presencial permitiu uma troca muito proveitosa de experiências, dificuldades e soluções para fortalecer as práticas de agroecologia e organização participativa das famílias atendidas pelo projeto em cinco estados da região amazônica. As atividades e debates foram organizadas pela equipe da ADAI, em parceria com o MAB de Rondônia.
Foram realizadas duas oficinas que reuniram teoria e prática durante esta jornada: uma de coleta e manejo de sementes nativas, ministradas pelas técnicas da Ecoporé, Aline Smychniuk e Joana Gomes. E a segunda, de preparo de bioinsumos, ministrada por Givanildo Santos, o Tatu, que é agricultor assentado do MST.
Sementes para manter a floresta em pé
A oficina de coleta de sementes nativas foi dividida em dois tempos – teoria e a prática, concentrada nos dias 26 e 27 de maio. Na parte teórica, Aline e Joana apresentaram os fundamentos da Ecoporé, ONG dedicada à coleta, catalogação e comercialização de sementes de árvores florestais de Rondônia. A Ecoporé integra a Reseba, rede formada por coletores e coletoras das comunidades indígenas e quilombolas da região amazônica, que fornece sementes e mudas para projetos de reflorestamento.
Aline e Joana trouxeram dezenas de sementes do acervo da Ecoporé para a atividade, coletadas neste sistema, que estimula a preservação das espécies pelas comunidades, mantendo a floresta em pé. Nas aulas, as técnicas da Ecoporé apresentaram os diversos tipos de sementes, as práticas mais adequadas para coleta, como fazer o planejamento sazonal e apresentaram quais os equipamentos adequados para cada tipo de coleta nas florestas fechadas. As técnicas também enfatizaram a importância de fazer o mapeamento das árvores, com identificação e localização, para garantir o rastreamento da origem da semente e a preservação da matriz.
Além da aula expositiva, o pessoal da ADAI fez atividades práticas para identificar os tipos de sementes e entenderem se podem ser armazenadas ou plantadas imediatamente para gerarem mudas.
Já a prática foi na área de mata do reassentamento Santa Rita, em Porto Velho, quando a turma foi reconhecer as árvores, escolher e coletar as sementes boas para que virem mudas. Na sede do reassentamento, onde é produzido o café agroecológico Ajuri, a turma se dividiu em pequenos grupos para selecionar as sementes.





Bioinsumos no quintal aumenta a produção
Na oficina de bioinsumos (27 e 28 de maio), adotando a metodologia aprender fazendo, Givanildo (Tatu) mostrou para a equipe técnica da ADAI como usar os microrganismos eficientes (EM) encontrados na natureza para preparar fertilizantes e inseticidas naturais.
A partir de ingredientes encontrados no quintal, como a serrapilheira – mistura de folhas, terra em decomposição encontrada no pé das árvores, cupins, água, melado de cana, cartilagem de peixe, Genivaldo ensinou como capturar os microrganismos e usá-los em plantas de todo o tipo.
Durante a oficina, a equipe da ADAI aprendeu a fazer os bioinsumos biopeixe, fosfato, fosfito e o biofertilizante. As receitas estão no folheto que pode ser baixado aqui.
Genivaldo mostrou que é possível aumentar a produção de alimentos saudáveis, sem uso de agrotóxicos ou fertilizantes industrializados, utilizando elementos que são encontrados nas terras das famílias atendidas e que podem ser produzidos e armazenados, usando galões de plástico, garrafas pet, mangueiras e bandejas plásticas.
Tanto a oficina de manejo de sementes como a de bioinsumos mostraram alternativas de produção sustentável e geração de renda acessível para as famílias atendidas da região amazônica.





Avaliação e planejamento
Além das oficinas, os técnicos e mobilizadores participaram de reuniões para debater a conjuntura da crise climática e compartilhar os balanços das atividades do projeto nas respectivas comunidades, com a implantação de PAIS, realização de oficinas de reflorestamento e visitas às famílias atendidas pelo projeto.
O projeto Produção Sustentável em Comunidades Atingidas da Amazônia recebe recursos não reembolsáveis do Fundo Amazônia (contrato n° 24.2.0365), gerido pelo BNDES, e é implantado pela ADAI em comunidades de Mato Grosso, Pará, Tocantins, Rondônia e Amapá, com parceiros de várias organizações e movimentos populares como o MAB e o MCP (Movimento Camponês Popular).
(Texto e fotos: Evelize Pacheco ADAI/Fundo Amazônia)







