Conselho Regional da Região 2 valida ideias de projetos do Anexo I.1 em Espaço Preparatório
Conselho Regional dialogou sobre 25 ideias de projetos para a Região 2 | Foto: Diego Cota/Adai Paraopeba
RODA DE DIÁLOGO. Espaço foi promovido pela Adai Paraopeba e precede encontro com a Entidade Gestora
Conselheiras e conselheiros do Conselho Regional da Região 2 da Bacia do Paraopeba se reuniram no sábado (15/08) para a validação de ideias de projetos para a primeira onda de iniciativas que serão financiadas com recursos do Anexo I.1 do Acordo Judicial de Reparação. O espaço preparatório foi promovido pela Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (Adai Brasil), Assessoria Técnica Independente (ATI) da Região 2, e foi realizado no bairro Cidade Satélite, em Juatuba.
Na ocasião, 25 ideias de projetos levantadas em espaços anteriores foram dialogadas entre as lideranças atingidas para validação como prioritárias para a primeira fase de execução do Anexo I.1. Esse diálogo precede o encontro com a Entidade Gestora, que será um espaço decisório em que as iniciativas de projetos regionais serão formalizadas.
Das 25 ideias, 16 foram validadas pelas conselheiras e conselheiros. As ideias de projetos abrangem temáticas como saúde e bem-estar, lazer, formação profissional, trabalho e renda, fortalecimento das organizações do território, transporte, artesanato e autonomia e segurança hídrica.
O coordenador da equipe do Anexo I.1 da Adai Paraopeba, Ian Almeida, explica que a ATI auxilia as pessoas atingidas para a tomada de decisão em relação ao Anexo I.1. “Nós nos organizamos para preparar as pessoas atingidas para participarem dos espaços da Entidade Gestora com as informações técnicas necessárias, a partir da metodologia indicada pela Entidade Gestora. Além disso, buscamos criar um espaço de diálogo entre as lideranças para que as decisões coletivas sejam tomadas, fortalecendo assim a governança que elas construíram”, disse.

Roda de Diálogo é promovida pela Adai e precede encontro com Entidade Gestora | Foto: Diego Cota/Adai Paraopeba
Um dos aspectos apontados pelas pessoas atingidas é o interesse de que as iniciativas regionais possam potencializar os projetos locais das comunidades. Para Canaã Farias, da Ocupação Santa Fé, localizada no bairro Eldorado, em Juatuba, a construção coletiva na instância regional tem avançado na Região 2, mesmo com as realidades distintas das comunidades.
“A gente está em um momento muito decisivo, muito importante. O trabalho que está sendo feito, da Governança Popular das pessoas atingidas, em especial dos Conselhos, tem sido muito produtivo. Estou vendo que está avançando, com muita luta, muita dificuldade, porque nós somos atingidos, mas temos demandas diferentes. Nem isso está impedindo a gente de avançar”, avaliou.

O Conselho Regional é formado por representantes dos 14 Conselhos Locais da Região 2 | Foto: Diego Cota/Adai Paraopeba
O atingido Walter Matias, morador do Bairro Satélite, em Juatuba, destacou a importância do espaço na perspectiva das comunidades. “Esses espaços dão a condição de a comunidade, através de nós que trazemos suas expectativas e as suas cobranças, debatermos e chegarmos a um consenso sobre o que, de fato, vai beneficiar a comunidade em sua totalidade”, disse.
Para ele, é necessário que essas iniciativas considerem as necessidades atuais e futuras diante da crise climática, que agrava os danos vivenciados no território atingido. “O que a gente tem buscado na elaboração e discussão desses projetos é justamente adequá-los a todo o processo que vem pela frente. Porque não adianta nada a gente fazer uma programação sem ter essa perspectiva do futuro. Estamos nesse processo de adaptar os projetos às verdadeiras necessidades atuais e futuras”, contou.
Avanço no Anexo I.1 é a esperança de ver a reparação no território atingido
São mais de sete anos desde o desastre-crime do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale S.A., ocorrido no município de Brumadinho. Diante do cenário de continuidade dos danos socioambientais e socioeconômicos, o Anexo I.1 carrega a esperança de que iniciativas das comunidades e para as comunidades possam contribuir para a mudança do cenário.
Capitã Pedrina, atingida da UTT Nzo Atim Kaiango Ua Mukongo, localizada no bairro Braúnas, em Juatuba, aponta que a validação das ideias no Espaço Preparatório vai permitir que o Conselho Regional caminhe dentro das ações do Anexo I.1 e que essa parte do Acordo é a esperança de que a reparação aconteça no território.
“É a nossa esperança porque até agora reparação nós não tivemos. Estamos com muita esperança de que o Anexo I.1 possa nos dar alguma coisa efetiva ao longo desses quase sete anos que nós estamos nessa luta e ainda, efetivamente, o povo atingido não conseguiu nada. A esperança é muito grande”, disse.
A expectativa da atingida Marília Horácio, do Assentamento 2 de Julho, de Betim, é que as pessoas atingidas possam voltar a ter boas condições para viver no território. “Eu espero que as pessoas atingidas voltem a ter vontade de viver novamente. É muito importante para nós a gente voltar a ter autonomia, voltar a construir os nossos territórios e está sendo muito importante essa construção coletiva”, apontou.
“Os direitos estão aí para a gente acessar, só que eles não caem nas nossas mãos. Quando a gente começa a se organizar, a mobilizar a comunidade, a gente tem mais possibilidade de conseguir o enfrentamento contra os danos que a gente vivencia no cotidiano”, concluiu Marília.




Lideranças dialogaram com a Entidade Gestora sobre divisão de recursos
Além do momento de validação das ideias de projetos, conselheiros e conselheiras dialogaram com a Entidade Gestora sobre a divisão de recursos do Anexo I.1 entre as regiões atingidas. A presença da representante da Entidade Gestora no espaço preparatório foi uma demanda das integrantes do Conselho Regional. Quem dialogou com as pessoas atingidas foi a coordenadora da Entidade Gestora pela Associação Nacional dos Atingidos por Barragens (ANAB), Jéssica Barbosa.


Representante da Entidade Gestora em diálogo com o Conselho Regional | Foto: Diego Cota/Adai Paraopeba
Na ocasião, ela explicou como se deu o diálogo das Instituições de Justiça (IJs) com a Entidade Gestora – consórcio formado pela Cáritas Brasileira Regional Minas Gerais, ANAB e Instituto E-dinheiro Brasil – e os critérios utilizados para a definição dos percentuais. A divisão do recurso está balizada pelo Ofício Conjunto n° 45/2026 das IJs, que foi publicado em abril deste ano. A apresentação detalhada dos valores por conselhos acontece durante os espaços de definição de projetos realizados pela Entidade Gestora junto aos Conselhos e Setores.

Conselho Regional da Região 2 | Foto: Diego Cota/Adai Paraopeba
Texto: Diego Cota/Adai Paraopeba
