Adai realiza rodada preparatória para fortalecer a participação dos Conselhos Locais na Definição de Projetos do Anexo I.1
Conselho Local 12, em São Joaquim de Bicas – Foto: Felipe Cunha/Adai Paraopeba
Espaços preparatórios promovidos pela ATI antecedem o encontro participativo de definição de projetos e diretrizes dos conselhos e setores junto à Entidade Gestora
A execução do Anexo I.1 (Projetos de Demandas das Comunidades Atingidas) do Acordo Judicial de Reparação, avança para uma nova etapa na Região 2 da Bacia do Paraopeba: a definição dos projetos comunitários voltados ao fortalecimento socioeconômico das comunidades atingidas pelo rompimento da barragem ocorrido em Brumadinho.
Desde o dia 15 de junho, a Adai tem realizado Espaços Participativos com os Conselhos e Setores locais da Região 2 da Governança Popular do Anexo I.1 para preparar e fortalecer a atuação dessas instâncias na etapa de Definição de Projetos Comunitários. Esses encontros, que serão promovidos com todos os conselheiros e conselheiras locais da Região 2, é uma preparação para a etapa de Definição de Projetos, que será conduzida posteriormente pela Entidade Gestora do Anexo I.1, liderada pela Cáritas.
Segundo Airlys Ramos, técnica da equipe do Anexo I.1 da Adai Paraopeba, os espaços preparatórios foram pensados para organizar as próximas etapas do Anexo I.1 e apoiar os Conselhos e Setores Locais na construção das propostas de projetos e da Governança Popular. Ela explica:
“Esses espaços preparatórios têm três objetivos centrais. O primeiro é retomar as propostas dos regimentos dos conselhos e dos setores locais.
O segundo consiste em apresentar a metodologia elaborada pela Entidade Gestora para a etapa de Definição dos Projetos que irão compor a primeira onda de execução.
Por fim, o terceiro objetivo é validar e priorizar as ideias de projetos levantadas nas reuniões de inauguração das instâncias e na lista encaminhada à Entidade Gestora pela antiga assessoria, definindo quais ideias serão encaminhadas pelos conselhos e setores à Entidade Gestora para a etapa de Definição dos Projetos”, explica Airlys.
Para Lucimar Benfica, atingida da comunidade Santa Ana, em Igarapé, e conselheira do Anexo I.1, o espaço preparatório supriu uma necessidade de diálogo referente aos conselhos. “Foi um espaço produtivo, bom, explicativo, nós tiramos várias dúvidas. A população tinha bastante dúvida em respeito ao conselho, porque já tinha bastante tempo que a gente não se reunia desse jeito com as entidades, então foi um espaço ótimo”, disse.
Da ideia ao Catálogo de Projetos

Conselho local 06 – Igarapé – Foto: Diego Cota/Adai Paraopeba
Durante essa rodada de espaço preparatório promovido pela Adai, os conselheiros e conselheiras analisam, complementam, validam e priorizam as ideias de projetos comunitários que serão encaminhadas à Entidade Gestora para análise e elaboração do Catálogo de Projetos.
Entre as ideias de projetos comunitários, estão iniciativas voltadas ao fortalecimento de quintais produtivos, à criação de centros de formação e ao incentivo a feiras locais, entre outras ideias de projetos relacionadas à reparação coletiva dos danos causados pelo rompimento da barragem de Brumadinho e ao fortalecimento socioeconômico dos territórios.
A validação e priorização de uma ideia de projeto comunitário representa a manifestação de interesse do Conselho ou Setor Local para que ela seja considerada na primeira onda de execução (nos próximos 12 meses) e siga para análise técnica da Entidade Gestora.
A atingida Valquíria Pereira, conselheira do Conselho Local 11 e moradora da comunidade Farofa, de São Joaquim de Bicas, vê nos projetos idealizados a possibilidade de ressignificar a relação com o território atingido. Uma das iniciativas propostas pelo coletivo é o desenvolvimento de um espaço para cultivo de ervas medicinais.
“Os projetos vão ajudar não só o lado financeiro, mas o físico também. A nossa cabeça, a mente, vai ajudar muito. A Terra Viva [uma das propostas] mesmo, a gente vai resgatar raízes que foram perdidas, vamos tentar resgatar as comunidades que estão perdidas e tentar trazer isso tudo de volta”, contou Valquíria.

Espaço Preparatório com o Conselho Local 11 foi realizado na quinta-feira (23/07), em São Joaquim de Bicas | Foto: Diego Cota/Adai Paraopeba
No Conselho Local 06, de Igarapé, as conselheiras e conselheiros revisitaram as ideias de projetos levantadas em espaços anteriores e apontaram propostas de projetos como prioritários. A comunidade visa desenvolver, por meio do Anexo I.1, os projetos de uma Fábrica de tijolos ecológicos; Feira; Construção de um Poço artesiano para atender as comunidades Borba e Santa Ana; Piscicultura; e Cursos profissionalizantes de informática, robótica, inglês e costura para todos os públicos.
A atingida da comunidade de Santa Ana, em Igarapé e conselheira do Anexo I.1, Edalgisa Martins, espera que os projetos possibilitem a retomada do modo de vida, que foi alterado com os danos do desastre-crime. “Eu espero que seja reconstruído o estilo de vida que a gente tinha. Geralmente, quem vem morar nesses lugares como aqui, vem em busca de uma vida mais natural, de comer uma comida plantada no seu próprio terreiro, de pescar um peixe no rio”, contou.
“Infelizmente, depois dessa tragédia, a gente perdeu isso. Eu estou com muita esperança de que os projetos tragam isso de volta para a comunidade, que a gente possa voltar a ter um peixe, voltar a comer uma verdura mais fresca, a ter lazer, mesmo que não seja indo lá no rio pescar, que a gente consiga recriar esses tipos de costumes que a gente tinha”, completou.
Além da validação e priorização, as pessoas atingidas aprofundaram o detalhamento de cada ideia de projeto, reunindo informações sobre objetivos, público beneficiado, recursos necessários e outros aspectos importantes para sua possível implementação. Esse trabalho fornecerá à Entidade Gestora subsídios para avaliar a viabilidade técnica de cada iniciativa e estimar o custo dos projetos, que serão financiados com recursos do Anexo I.1 do Acordo Judicial de Reparação.

Conselho Local 03 – Mário Campos – Foto: Felipe Cunha/Adai Paraopeba
A atingida Cláudia Freitas, representante do Conselho Local 03, da comunidade Reta do Jacaré, em Mário Campos, destacou a expectativa para que os projetos comunitários do Anexo I.1 avancem e reforçou a importância dos espaços preparatórios promovidos pela Adai na qualificação das pessoas atingidas para a próxima etapa conduzida pela Entidade Gestora.
“Esperamos que os projetos comecem a andar e que a gente tenha boas respostas. Também esperamos que os recursos destinados sejam suficientes para executar o projeto que a comunidade deseja. Um exemplo é a criação de uma área de convivência com atividades e oficinas para adultos, idosos e crianças, como artesanato, culinária, esporte e lazer. O espaço preparatório com a Adai tem sido muito produtivo, ajudou a esclarecer muitas dúvidas e, com certeza, vamos conseguir responder da forma correta quando a Entidade Gestora nos perguntar sobre os projetos”, afirmou.
Após essa etapa, a Entidade Gestora realizará a análise de viabilidade das propostas, considerando sua relação com os danos priorizados, e elaborará os Catálogos de Projetos.

Os projetos comunitários validados pelas pessoas atingidas farão parte do Catálogo de Projetos após a Entidade Gestora avaliar, junto às comunidades, a viabilidade de execução na primeira onda, com definição de valores e detalhamento das iniciativas.
Com essa rodada preparatória, a Adai contribui para qualificar a participação informada das pessoas atingidas, fortalecendo a atuação dos Conselhos e Setores Locais, promovendo o diálogo sobre as prioridades de cada território.
Para Sabrina Helena, atingida e integrante do Conselho Local 12, de São Joaquim de Bicas, da comunidade do Vale do Sol, os espaços preparatórios representam uma oportunidade para que as comunidades aperfeiçoem suas ideias de projetos antes da etapa de Definição de Projetos com a Entidade Gestora. Ela destaca que, embora os projetos não sejam capazes de reparar integralmente os danos causados pelo rompimento da barragem ocorrido em Brumadinho, podem gerar novas oportunidades para as pessoas atingidas.

Conselheira de São Joaquim de Bicas participa de atividade de validação dos representantes titulares e suplentes de seu Conselho Local – Foto: Felipe Cunha/Adai Paraopeba
“Nossa comunidade espera que esses projetos contribuam para a reparação dos danos causados pelo crime da Vale. Eles não reparam tudo o que foi perdido, mas representam uma parte importante desse processo. Estamos esperançosos de que tragam benefícios para a comunidade. Muitas pessoas tiveram a saúde atingida, perderam o emprego ou precisaram abandonar atividades que faziam parte da história de suas famílias, como a pesca. Esses projetos podem abrir novas oportunidades para nós, pessoas atingidas.
No nosso Conselho, por exemplo, uma das propostas para a primeira onda é a criação de um centro de formação, com cursos de informática voltados para a comunidade. Nas próximas etapas, queremos que esse centro seja itinerante.
Esses espaços promovidos pela Adai são importantes porque nos ajudam a chegar à etapa da Entidade Gestora mais preparados, com orientações e propostas mais bem estruturadas. Isso fortalece nossa participação e aumenta as possibilidades de avançarmos na construção dos projetos”, finaliza Sabrina.
Como parte desse processo, a Adai realizará, nos próximos dias, espaços preparatórios com os demais Conselhos Locais da Região 2, fortalecendo a preparação das comunidades para a etapa de Definição dos Projetos Comunitários, conduzida pela Entidade Gestora para a execução do Anexo I.1.
Esta matéria será atualizada à medida que novas atividades de cobertura forem realizadas.
Texto: Felipe Cunha e Diego Cota
