Adai Paraopeba acompanha reunião da Aecom e destaca atualizações da reparação socioambiental na Região 2
Rio Paraopeba | Foto: Felipe Cunha/Adai
MONITORAMENTO. Reunião apresentou informações sobre estudos de risco, produção agropecuária, dragagem do Rio Paraopeba, educação ambiental e projetos de compensação socioambiental
A Assessoria Técnica Independente (ATI) da Região 2 da Bacia do Rio Paraopeba acompanhou, na sexta-feira (25/09), mais uma reunião virtual promovida pela Auditoria Socioambiental Aecom sobre o andamento das ações de reparação socioambiental relacionadas ao rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale S.A., ocorrido em Brumadinho, em 2019.
A reunião apresentou atualizações sobre diferentes ações em andamento na Bacia do Rio Paraopeba. Para a Região 2, acompanhada pela Adai e formada pelos municípios de Betim, Igarapé, Juatuba, Mário Campos, São Joaquim de Bicas e Mateus Leme, com Povos e Comunidades Tradicionais, ganham destaque as informações relacionadas ao Estudo da Produção Agropecuária e do Pescado, aos Estudos de Risco à Saúde Humana e Risco Ecológico, à dragagem do Rio Paraopeba, ao Programa de Educação Ambiental e aos projetos de compensação socioambiental.
A Aecom é responsável pela auditoria socioambiental das obrigações relacionadas aos Anexos II do Acordo Judicial de Reparação e acompanha os Estudos de Avaliação de Risco à Saúde Humana e Risco Ecológico. As reuniões mensais apresentam aos órgãos públicos e às Instituições de Justiça informações sobre a execução das medidas relacionadas à reparação socioambiental.
Estudo da Produção Agropecuária e do Pescado chega ao território
Um dos principais destaques para a Região 2 foi o andamento do Estudo da Produção Agropecuária e do Pescado na Bacia do Rio Paraopeba. O estudo busca produzir informações sobre os alimentos provenientes da produção agropecuária, da pesca e da piscicultura e avaliar sua relação com o rompimento.
Durante a reunião, a Aecom informou ainda que foi iniciada a aplicação do Questionário Agropecuário (QAgro). A previsão apresentada é que essa etapa continue até o final de 2026 e início de 2027. O questionário é considerado uma etapa importante para identificar o que é produzido no território e subsidiar as etapas posteriores do estudo.
Na programação inicial apresentada pela Aecom para aplicação do Questionário Agropecuário estão São Joaquim de Bicas, Igarapé e Betim, três dos seis municípios acompanhados pela Adai na Região 2. A aplicação dos questionários seguirá nos próximos meses, conforme o planejamento do estudo.
Estudos de Risco e comunicação com as comunidades
Também foram apresentadas informações sobre os Estudos de Avaliação de Risco à Saúde Humana e Risco Ecológico. A nova empresa executora dos estudos vem realizando uma campanha de comunicação sobre a transição entre as equipes responsáveis pelo trabalho. Durante a apresentação, foi informado que, das 410 comunidades previstas para receber reuniões de transição, 273 foram alcançadas.
A auditoria chamou a atenção para as dificuldades de mobilização e para a necessidade de que as informações sejam apresentadas em uma linguagem compreensível para as comunidades. Segundo a Aecom, houve melhoria na linguagem utilizada nas atividades, embora ainda sejam necessários aprimoramentos.
Outra recomendação apresentada foi a disponibilização de materiais sobre os resultados dos estudos para que lideranças e participantes possam compartilhar as informações em suas comunidades.
Dragagem do Rio Paraopeba
Segundo as informações compartilhadas, o Trecho 1 encontra-se em fase de encerramento. Nessa etapa, são realizadas investigações para verificar se ainda existem rejeitos no trecho e, caso sejam encontrados, podem ocorrer novas intervenções.
Já no Trecho 2, as atividades foram paralisadas depois de questionamentos apresentados pelo órgão ambiental durante vistoria realizada em agosto. Com as chuvas e a elevação do nível do Rio Paraopeba em setembro, a Aecom informou que a dragagem pôde ser retomada sem a necessidade de algumas intervenções que estavam sendo utilizadas para garantir a circulação dos equipamentos.
A auditoria informou, contudo, que não houve, no período apresentado, retirada definitiva de volume do rio por bombeamento.
A Aecom também destacou informações sobre o Trecho 4 da dragagem. No momento, esse trecho passa por etapas relacionadas aos projetos, ao licenciamento e à preparação da infraestrutura necessária para a futura operação. Conforme o cronograma atualizado, o protocolo dos projetos está previsto para novembro de 2026 e o início da operação de dragagem, no cenário atualmente considerado, para outubro de 2027.
Programa de Educação Ambiental
A Aecom também apresentou atualizações sobre o Programa de Educação Ambiental de Brumadinho e Bacia do Rio Paraopeba (PEABP). Atualmente, o programa desenvolve o Diagnóstico Socioambiental Participativo, composto por diferentes etapas e metodologias. Uma delas foi a Consulta Pública, que alcançou 7.223 participantes, número superior aos 3.280 formulários inicialmente previstos.
Destacou-se a atenção para a importância das atividades presenciais. Segundo os dados apresentados, quando a consulta foi realizada presencialmente, com apoio das equipes em campo, cerca de 90% das pessoas concluíram o preenchimento. Quando o acesso ocorreu diretamente por ferramentas digitais, a taxa de conclusão ficou próxima de 37%.
Até 25 de setembro, 24 dos 26 municípios abrangidos pelo programa já haviam realizado a primeira oficina de mobilização formativa. A auditoria destacou como desafios a ampliação da participação e a garantia de diversidade entre os participantes, incluindo jovens, agricultores, Povos e Comunidades Tradicionais, organizações da sociedade civil e outros grupos dos territórios.
Manejo de cães e gatos nos seis municípios da Região 2
Outro projeto apresentado foi o de Manejo Populacional Ético de Cães e Gatos, previsto no Anexo II.2 do Acordo de Reparação.
O projeto envolve castração e microchipagem, ações educativas e capacitação profissional. No conjunto dos municípios atendidos, a Aecom informou que 27.488 animais já haviam sido castrados, de uma meta de 34.587, além da realização de 248 eventos.
O projeto contempla todos os municípios acompanhados pela Adai. Até a atualização de 20 de agosto de 2026, o Portal da Auditoria registrava:
- Betim: 6.536 animais;
- Igarapé: 1.123;
- Juatuba: 722;
- Mário Campos: 214;
- Mateus Leme: 1.145;
- São Joaquim de Bicas: 774.
Somados, são 10.514 animais atendidos nos seis municípios da Região 2 até o período informado.
A Aecom apontou que o ritmo de castrações nos últimos meses ficou abaixo da média histórica do projeto e que está sendo discutida a ampliação do período de execução para possibilitar o cumprimento da meta estabelecida.
Outros projetos socioambientais
A reunião trouxe, ainda, informações sobre outros projetos de compensação socioambiental.
Entre eles está o projeto Listas Vermelhas, voltado à avaliação do risco de extinção de espécies da fauna e da flora em Minas Gerais; a Regularização Fundiária do Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, que permanece com dificuldades para avançar na aquisição das áreas previstas; além dos projetos Lagoa Viva e Produtor de Águas, que seguem em fases de detalhamento e análise.
Também foram apresentadas atualizações sobre o monitoramento das águas e sedimentos, as estruturas remanescentes da Mina Córrego do Feijão, o manejo de rejeitos e as ações de recuperação ambiental na região do Ribeirão Ferro-Carvão.
A Adai Paraopeba segue acompanhando as reuniões da Auditoria Socioambiental e as ações que possam ter relação com Betim, Igarapé, Juatuba, Mário Campos, Mateus Leme e São Joaquim de Bicas, buscando ampliar o acesso das pessoas atingidas às informações sobre o andamento da reparação socioambiental.
Para acompanhar documentos e informações sobre as ações de reparação socioambiental, também é possível consultar o Portal da Auditoria Socioambiental da Aecom.
https://portal.auditoriasocioambiental.com.br/home
Texto: Equipe de Participação Informada da Adai Paraopeba
