Moradores do Quilombo do Abacatal, junto à  equipe da ADAI, reunidos durante a ação ambiental, que promoveu a distribuição de mudas no Dia do Meio Ambiente em Belém. Foto: Maria Elen / MAB


Por Maria Elen / MAB

Mais do que plantar árvores, cuidar da Amazônia significa fortalecer quem nela vive. É nas escolas, nas comunidades ribeirinhas, nos quilombos e nos espaços coletivos que o compromisso com o meio ambiente ganha forma todos os dias, por meio de pessoas que preservam os rios, cultivam a terra e mantêm vivas as relações com seus territórios.

Foi com esse propósito que, ao longo do mês junho (o mês do meio ambiente) comunidades de Belém, Cametá, Mocajuba e do Quilombo do Abacatal, na Região  Metropolitana de Belém, realizaram uma série de atividades voltadas à educação ambiental, ao reflorestamento e ao fortalecimento da organização popular. As ações reuniram militantes, crianças, jovens e moradores em uma programação elaborada pela Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (ADAI) e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), por meio do projeto ‘Produção Sustentável em Comunidades Atingidas da Amazônia’ com financiamento do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e implementado pela ADAI em parceria com o MAB e outros movimentos sociais.

A programação integrou iniciativas que unem recuperação ambiental, formação popular e participação comunitária, demonstrando que a preservação da floresta também passa pelo fortalecimento das pessoas que vivem e defendem esses territórios.

Educação ambiental desde a infância

Em Belém, as atividades aconteceram em parceria com a República do Emaús e envolveram dezenas de crianças e adolescentes. Durante dois dias de programação, os participantes conheceram mais sobre a biodiversidade amazônica, refletiram sobre a importância da preservação da floresta e participaram da campanha Plantando Vidas: plante e adote uma árvore.

A iniciativa faz parte da campanha nacional Plantando Vidas, criada pelo MAB na Amazônia com o objetivo de incentivar a produção de mudas e o reflorestamento de áreas urbanas e rurais. Ao longo dos anos, a experiência ultrapassou as fronteiras da região e passou a inspirar ações em diferentes estados brasileiros.

Mais do que distribuir mudas, a atividade buscou despertar nas crianças a compreensão de que cada árvore plantada representa um compromisso coletivo com o futuro da Amazônia.

Mobilização que fortalece os territórios

Entre os dias 5 e 6 de junho, às ações chegaram ao Baixo Tocantins nos municípios de Mocajuba e Cametá, na Ilha Pamuçu e na Comunidade do Paruru do Meio, onde foi promovida uma programação voltada ao fortalecimento da organização popular e à defesa dos territórios do Baixo Tocantins.

As atividades envolveram panfletagem no Mercado Municipal, caminhada com a comunidade escolar, ação coletiva de limpeza doméstica e instalação de placas de conscientização ambiental, mobilizando moradores em torno da preservação dos rios e da Amazônia.

No Dia do Povo Ribeirinho, a programação também contou com uma roda de conversa sobre temas como a ameaça da Hidrovia Araguaia-Tocantins, a regulamentação da Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens (PNAB), a proteção do meio ambiente e o papel fundamental dos povos ribeirinhos na preservação da vida amazônica.

As atividades foram encerradas com o projeto Cinema na Ilha, que exibiu a lenda “Bailarina da Beira do Rio”, seguido de um momento de confraternização organizado pelo Coletivo de Mulheres da Ilha Pamuçu, reafirmando que defender os rios é proteger a cultura, os territórios, os modos de vida e o futuro das comunidades ribeirinhas da Amazônia.

Quilombo do Abacatal e Castanheira: plantar também é preservar a memória

Belém e Região Metropolitana também integraram a programação do Dia do Meio Ambiente. As atividades reuniram moradores e militantes em ações voltadas ao fortalecimento da consciência ambiental e à proteção dos territórios tradicionais.

A presença das comunidades do quilombo do Abacatal e do bairro do Castanheira reforçou que a conservação da Amazônia está diretamente ligada à permanência dos povos em seus territórios e ao reconhecimento dos conhecimentos construídos ao longo de gerações.

As iniciativas demonstram que enfrentar os desafios ambientais exige construir soluções junto às comunidades, valorizando experiências locais e fortalecendo processos permanentes de educação ambiental, organização popular e recuperação dos territórios.