Roda de Diálogo com o Conselho Regional marcou o encerramento da etapa preparatória na Região 2 | Foto: Diego Cota/Adai Paraopeba


ANEXO I.1. Espaço Preparatório promovido pela ATI também detalhou as propostas de projetos regionais validadas em agosto.

O Conselho Regional da Região 2 da Bacia do Rio Paraopeba deu um passo importante para a definição dos projetos e das linhas de crédito e microcrédito no âmbito do Anexo I.1 do Acordo Judicial de Reparação. No sábado (12/09), conselheiras e conselheiros se reuniram no município de Mário Campos em mais uma Roda de Diálogo promovida pela Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (Adai Brasil), Assessoria Técnica Independente (ATI) da R2. O Espaço Preparatório foi o último presencial antes do encontro com a Entidade Gestora (EG).

O diálogo entre as lideranças atingidas dá continuidade à etapa de preparação para o espaço de definição de projetos regionais e das linhas de crédito e microcrédito junto à Entidade Gestora, previsto para o próximo sábado (19/09), em Betim. Essa etapa teve início em 12/08, em Juatuba, quando conselheiras e conselheiros validaram 16 ideias de projetos regionais para a primeira onda de execução do Anexo I.1.

Acordo Judicial de Reparação prevê R$ 3 bilhões para ações do Anexo I.1 na Bacia do Paraopeba | Foto: Diego Cota/Adai Paraopeba

Além da definição dos projetos, é no Conselho Regional que são definidas as diretrizes para o Crédito e Microcrédito. Ele é formado por representantes dos 14 Conselhos Locais distribuídos nos seis municípios atingidos que compõem a Região 2 – Mário Campos, São Joaquim de Bicas, Betim, Igarapé, Juatuba e Mateus Leme.

Na parte da manhã da atividade, a equipe técnica da Adai apresentou para o Conselho Regional a metodologia que será utilizada pela EG para a definição das Linhas de Crédito e Microcrédito e levantou propostas para as linhas que serão disponibilizadas para as pessoas atingidas da Região 2.

Já no período da tarde, foi feito o detalhamento das ideias de projetos priorizadas. As pessoas atingidas dialogaram sobre as especificidades de cada proposta e contribuíram com suas expectativas e experiências para o desenvolvimento das ideias. Entre os quesitos dialogados, estiveram o espaço físico necessário para os projetos, os responsáveis pela execução e o público-alvo.

Fotos: Diego Cota/Adai Paraopeba

O coordenador da equipe do Anexo I.1 da Adai, Ian Almeida, destacou o marco de finalização dessa que é uma etapa importante para a reparação na Região 2. “A reunião de hoje marcou o encerramento dos preparatórios para as definições das diretrizes de projetos e crédito e microcrédito. Após diversos espaços, as pessoas atingidas estão partindo para o diálogo definitivo com a Entidade Gestora”, disse.

Ele ainda destacou a participação ativa das conselheiras e dos conselheiros nessa etapa. “Mais de 60 pessoas estiveram presentes para tomar as decisões e realizar os diálogos necessários para chegar à reunião com a Entidade Gestora e definir como será a reparação em nível regional. Estamos muito felizes de estar aqui nessa etapa, fechando mais esse momento, essa construção coletiva”, concluiu.

Conselho Regional levantou propostas para linhas de crédito e microcrédito para a R2 | Foto: Diego Cota/Adai Paraopeba

Especificidades da Região 2 são apontadas nas propostas de crédito e microcrédito

No Crédito e Microcrédito, o Conselho Regional vai definir linhas que podem ter foco em parcelas da população ou em segmentos econômicos que avaliem ser importante acessar a medida de reparação prevista no Anexo I.1. Ao longo da discussão, foram sugeridas linhas específicas para mulheres, povos e comunidades tradicionais (PCTs), agricultores familiares, pequenos produtores, entre outras.

Uma parte da população da Região 2 que foi destacada no diálogo das conselheiras e conselheiros são as mulheres. Joelísia Feitosa, integrante do Conselho Regional e atingida do Bairro Satélite, de Juatuba, destacou que a maior parte da população atingida da região é feminina, que enfrenta diariamente os desafios de cuidar das suas famílias e de levar o sustento para a casa.

“Mulheres que vivem os desafios diários e, ao mesmo tempo, buscam oportunidade de trabalho, oportunidade de ter uma vida digna e de oferecer dignidade também aos seus filhos e às suas famílias. São as mulheres que têm que ter o protagonismo da luta, mas que também precisam ter a dignidade garantida e assegurada minimamente nessa possibilidade de reparação”, disse.

Ela enfatizou que muitas dessas mulheres vivem em situação de vulnerabilidade e, por isso, encontram dificuldades para acessar incentivos nas instituições bancárias tradicionais. Ter uma linha específica dentro do Anexo I.1 seria a oportunidade para que elas possam desenvolver seus projetos pessoais.

“As mulheres têm almejado oportunidades de trabalho e de geração de renda. As dificuldades são grandes. Geralmente, a maioria das mulheres atingidas não consegue acessar crédito nas condições atuais, que exigem comprovações de renda e, às vezes, impedem o acesso por causa de restrições. Então, essa possibilidade é uma forma de garantir que as mulheres acessem esse direito e, dessa forma, possam de fato desenvolver atividades produtivas para gerar emprego, renda e trabalho, melhorar a vida delas e da população dessa região atingida”, concluiu.

Fotos: Diego Cota/Adai Paraopeba

Uma atividade econômica característica da Região 2 lembrada durante o diálogo do Conselho Regional foi a agricultura familiar. O conselheiro Amarildo de Souza Horácio, atingido do Assentamento 2 de Julho, em Betim, destacou a importância de estabelecer uma linha de crédito específica para agricultores, que tiveram suas atividades atravessadas pelos danos causados pelo rompimento.

“A Região 2 tem assentamentos e acampamentos de reforma agrária e pequenos agricultores que tiveram seus negócios atingidos, principalmente aqueles ligados à produção de hortaliças e frutas. E acaba que, mesmo as famílias que conseguiram se recuperar, mas que estão muitas vezes às margens do rio, seus negócios ainda enfrentam dificuldades. A importância de ter essa linha é para a gente alavancar a produção desses agricultores assentados e acampados”, contou.

Para Amarildo, uma linha específica para os agricultores é uma forma de garantir a produção de alimentos, porque com o crédito vão poder investir na logística para maior inserção dos produtos no mercado e desenvolver a estrutura dos seus negócios.

“Nós temos essas demandas específicas que são desses sujeitos que estão produzindo comida. Por isso a importância da produção, de crédito, de escoamento da produção, de avaliação de mercado. Então eu reitero isso, a importância de retomar suas produções, de ciclos do que estavam produzindo, e recolocar essas produções como necessárias à alimentação da população com alimento de qualidade”, afirmou.

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Texto e Fotos: Diego Cota/Adai Paraopeba