Nos dias 27 e 28 de fevereiro, a Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (ADAI) realizou em Porto Velho (RO) o 2º Encontro de Lideranças Locais, mesclando debates teóricos e ações práticas, com foco no fortalecimento das famílias beneficiárias e na recuperação de áreas degradadas no estado.

Lideranças locais reunidas na plenária durante apresentações e debates no primeiro dia

Diagnóstico e governança

A atividade teve início com uma análise de conjuntura, debatendo a realidade das comunidades atingidas. O diálogo fundamentou a roda de conversa sobre os pilares do projeto:

  • Produção sustentável e reflorestamento;
  • Formação e capacitação;
  • Sustentabilidade nas escolas;
  • Fundo comunitário.

No campo da gestão, foram apresentados dados sobre o status das regiões beneficiadas. Um ponto de atenção central foi a regularização documental, etapa essencial para garantir a segurança jurídica e o acesso das famílias aos benefícios. A tarde foi dedicada ao fortalecimento da governança local, definindo o papel de cada liderança e consolidando o cronograma de metas para o próximo período.

Campanha “Plantando Vidas”

No segundo dia de atividades, as lideranças se deslocaram para a Comunidade Maravilha. O destaque foi a jornada de educação ambiental sob o selo da campanha “Plantando Vidas”. Idealizada pelo MAB com apoio da ADAI, a campanha surgiu em 2019 como uma resposta política e ambiental dos atingidos em todo o Brasil. O projeto nasceu com o objetivo de recuperar ecossistemas degradados por grandes empreendimentos e reafirmar a soberania das comunidades sobre seus territórios, promovendo o plantio de árvores como um ato de resistência e cuidado com a vida.

Paulo Merêncio e João Bosco, beneficiários da comunidade de Ramal do Jacu e Linha 45, plantando mudas de cacau e buriti no entorno do Lago Maravilha.

Em Porto Velho, a atividade culminou em uma intervenção direta na natureza, com o plantio de mudas às margens do Lago Maravilha. Foram plantadas 110 mudas de espécies nativas e frutíferas, como açaí, ipê, buriti e cacau. Este plantio serve como modelo de tecnologia social que a ADAI e o MAB pretendem replicar em outras comunidades atingidas para combater a crise climática e a degradação ambiental na Amazônia.

Conclusão e próximos passos

O encontro encerrou-se com uma avaliação positiva. O consenso entre lideranças locais, beneficiários e participantes é de que a mobilização das famílias, a organização e o fortalecimento da rede de lideranças são os motores principais para a manutenção da produção sustentável na região. Com o cronograma definido, o projeto avança agora para uma fase de implementação intensiva nos territórios.

Sobre o projeto

O projeto ‘Produção Sustentável em Comunidades Atingidas da Amazônia’ é realizado pela ADAI, em parceria com o MAB, entre outras organizações populares, com financiamento do Fundo Amazônia do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para beneficiar 600 famílias atingidas de 32 comunidades nos estados do Amapá, Pará, Tocantins, Rondônia e Mato Grosso.

As principais ações do projeto são:

  • Implantação de 300 unidades PAIS (Produção Agroecológica Integrada e Sustentável) com geração de energia solar e captação de água
  • Implementação de 200 projetos complementares, orientados sob 5 eixos: agroindústrias comunitárias, produção de hortaliças, criação de pequenos animais, agroflorestas e as feiras comunitárias
  • Implantação de 5 viveiros de mudas de árvores nativas
  • Plantio de 200 mil árvores nativas da região
  • Capacitação das famílias atingidas para produção de mudas de árvores nativas, verduras, legumes e criação de animais para venda ou fabricação de produtos derivados desses plantios

(fotos e textos de Klézi Martins)