Participantes do 1º Encontro de Lideranças Locais em Porto Velho/RO. Foto: Klézi Martins/MAB e ADAI


A Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (ADAI) e o Movimento das Atingidas e Atingidos por Barragens (MAB) realizaram nos dias 14 e 15 de agosto de 2025 em Porto Velho/RO, o 1º Encontro de Lideranças Locais, com caráter educacional e formativo, com o objetivo de mobilizar as lideranças comunitárias, apoiar a implementação de atividades previstas e propor novos projetos para fortalecimento da produção das comunidades atingidas.

A atividade iniciou com Laércio Cavalcante, técnico de ciências agrárias da ADAI e militante do MAB, com a palestra sobre ‘Território e resistência na Amazônia’, reforçando o papel da agricultura familiar diante da expansão do agronegócio e da crise climática. Destacando a importância da agroecologia como estratégia de resistência, defesa dos territórios e mitigação dos impactos climáticos, abordando a realidade enfrentada pelos produtores de acordo com os impactos em suas localidades.


Em seguida, foi apresentado o projeto Produção Sustentável em Comunidades Atingidas pela Amazônia, detalhando seus objetivos e os critérios de seleção das famílias beneficiárias (interesse, perfil socioprodutivo, localização e potencial de produção), além do planejamento e metas para o primeiro ano.

Durante a tarde do primeiro dia, aconteceram debates em grupos sobre os temas trazidos na plenária: comercialização e fortalecimento de feiras agroecológicas, ideias de culturas e manejo de plantas com base na agroecologia,  troca de sementes crioulas, valorização e investimento no trabalhador rural, transição para Agroecologia e Sistemas Agroflorestais (SAFs).

Momento para debates em grupo, divididos por duas regiões: Baixo e Médio Madeira e Região de Samuel. Foto: Letícia Regiane/MAB    

No dia 15, durante a manhã, a especialista em agrofloresta do MAB, Paola Bentes, detalhou o processo de licenciamento para a perfuração de poços, elencando a documentação necessária e os passos até a obtenção da licença. Abordou sobre o processo de outorga da água e casos em que ocorre a dispensa desta, no qual se aplica às famílias atingidas do movimentos que é a declaração de uso insignificante de recursos hídricos. Destacou, também, a importância do Cadastro do Agricultor Familiar (CAF) e do Cadastro Ambiental Rural (CAR) como ferramentas essenciais para que essas famílias acessem políticas públicas e benefícios. De acordo com Paola: “É de extrema importância esclarecer a necessidade desses documentos. Alguns podem ser feitos de forma online e facilitam a vida das famílias, e para outros, que possuem uma maior burocratização, a equipe técnica do projeto está disponível para dar instruções e articular a garantia da documentação necessária”.

Paola Bentes (em pé) durante apresentação sobre as licenças necessárias para receber o projeto desenvolvido com o Fundo Amazônia/BNDES. Foto: Klézi Martins/MAB e ADAI

Durante a tarde aconteceu o encerramento do encontro, sendo realizada uma visita à mini Fábrica de Café no Reassentamento Santa Rita, projeto desenvolvido pelo MAB em parceria com a ONG austríaca H3000 e que está em fase de finalização, como um momento para troca de experiências e vivências entre as comunidades. O objetivo foi demonstrar como a organização e a construção de um trabalho coletivo podem gerar resultados positivos e frutos para a comunidade.

Participantes reunidos durante visita na Fábrica de Café no Reassentamento Santa Rita, em Porto Velho/RO. Foto: Klézi Martins/MAB e ADAI

O encontro faz parte do projeto Produção Sustentável em Comunidades Atingidas da Amazônia, financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)/Fundo Amazônia, e executado pela Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (ADAI) em parceria com movimentos e organizações do campo, entre eles o Movimento das Atingidas e Atingidos por Barragens (MAB).

Viva a produção camponesa, familiar e popular! Viva a agroecologia!

Klézi Martins / ADAI e MAB