Catadoras de materiais recicláveis compartilham experiências com conselheiras do Anexo I.1 para fortalecer projetos comunitários
Técnicas/os do Anexo I.1 da Adai Paraopeba e catadoras de materiais recicláveis do Condomínio 530 conversam sobre o trabalho de coleta, triagem e comercialização de materiais recicláveis | Foto: Felipe Cunha/Adai Paraopeba
VISITA TÉCNICA | Encontro promoveu a troca de experiências sobre materiais recicláveis entre o Coletivo de Catadoras do 530, em Belo Horizonte, e atingidas pelo rompimento de Brumadinho, contribuindo para fortalecer a proposta de projetos comunitários na Região 2 da Bacia do Paraopeba
Na sexta-feira, 16 de outubro, a equipe do Anexo I.1 da Adai Paraopeba realizou uma visita técnica ao Coletivo de Catadoras do 530, localizado no bairro Granja de Freitas, em Belo Horizonte. A atividade contou com a participação de conselheiras da Governança Popular dos Projetos de Demandas das Comunidades Atingidas de Betim e teve como objetivo conhecer a experiência do grupo de mulheres catadoras autônomas de materiais recicláveis e promover a troca de conhecimentos que possam contribuir para a elaboração e o desenvolvimento de projetos de reciclagem na Região 2 da Bacia do Paraopeba.
A iniciativa permitiu conhecer de perto a organização do trabalho das mulheres, os desafios enfrentados e as possibilidades de transformação de materiais recicláveis em fonte de renda, fortalecimento comunitário, proteção e conscientização ambiental.
Coletivo de mulheres do 530 transforma reciclagem em iniciativa comunitária

Catadoras do Condomínio 530 mostram o espaço de trabalho de coleta e triagem de materiais recicláveis | Foto: Felipe Cunha/Adai Paraopeba
O Coletivo de Catadoras do 530 desenvolve um trabalho comunitário de coleta e triagem de materiais recicláveis no entorno e nos blocos do condomínio, além de comercializar os materiais recolhidos. A iniciativa envolve mulheres que se organizam coletivamente para dar destinação aos inúmeros tipos de materiais recicláveis e gerar renda a partir do trabalho com a reciclagem.
O nome do grupo faz referência ao número do condomínio, que reúne 14 blocos residenciais. A experiência demonstra como a organização comunitária pode contribuir para o reaproveitamento de materiais e a criação de alternativas de geração de renda.
Experiência fortalece proposta de atingida de Betim

Nivanete dos Santos, atingida de Betim e conselheira do Anexo I.1, dialoga com as catadoras do condomínio 530, em BH, cuja experiência se relaciona à proposta de projeto local em sua comunidade | Foto: Felipe Cunha/Adai Paraopeba
Entre as atingidas pelo rompimento de Brumadinho que participaram da visita estava Nivanete dos Santos, atingida de Betim e conselheira do Anexo I.1, que defende a criação de um projeto voltado à reciclagem em seu Conselho Local, na Região 2.
Ela já desenvolve uma iniciativa de coleta de materiais recicláveis na rua onde mora, incentivando os vizinhos a separarem os resíduos e deixá-los na porta de casa. Para Nivanete, conhecer o trabalho do coletivo fortalece sua compreensão sobre as possibilidades da reciclagem e seu potencial de transformação socioambiental.
“Eu me encantei pelo universo da reciclagem. É algo muito grande, que pode transformar vidas. Precisamos retirar esses materiais das ruas, proteger o meio ambiente e contribuir com a natureza, que está pedindo socorro”
A visita também trouxe novas referências para a construção da proposta que ela pretende desenvolver em sua comunidade. Ao conhecer a trajetória das catadoras, Nivanete identificou pontos em comum entre a experiência do coletivo e os objetivos de seu projeto.
“A visita ao espaço de hoje, no Condomínio 530, é muito rica, porque vemos como essas mulheres estão comprometidas com o desenvolvimento, a proteção do meio ambiente e a busca por recursos para sua sobrevivência. Percebemos que elas têm sonhos, vestem a camisa do projeto e querem um espaço melhor para trabalhar. Isso fortalece o sonho que tenho de defender o meio ambiente, promover a coleta consciente e conscientizar as pessoas sobre o descarte dos resíduos”, relata.
Para ela, a experiência reforça a importância da mobilização coletiva e da persistência na construção de iniciativas comunitárias. “Saio daqui com uma experiência de luta e com a certeza de que a luta vale a pena quando temos disposição para lutar”, afirma.
Projeto busca unir consciência ambiental e geração de renda
A proposta do projeto de reciclagem, priorizado no Conselho Local do qual Nivanete faz parte, pretende incentivar a conscientização ambiental entre as pessoas da comunidade e demonstrar que materiais descartados de forma inadequada podem ganhar novos usos, gerar renda e contribuir para o desenvolvimento local.
“Com relação ao projeto que estamos pensando, a ideia é justamente mostrar que esses materiais que descartamos e que causam tantos danos para o meio ambiente podem se transformar em renda e em algo positivo para a própria comunidade, como objetos, artesanatos, enfim (…) onde, também, a própria comunidade estará contribuindo com o projeto comunitário de reciclagem”, explica Nivanete.
A visita técnica buscou, portanto, viabilizar iniciativas construídas a partir das demandas das próprias comunidades. Nesse processo, o intercâmbio de experiências pode ajudar a identificar caminhos, compartilhar aprendizados e fortalecer a elaboração de projetos no âmbito do Anexo I.1 do Acordo Judicial de Reparação, que promovam benefícios socioambientais e econômicos para as pessoas atingidas da Região 2.
Texto: Felipe Cunha/Adai Paraopeba
