A comunidade escolar pode refletir sobre agricultura familiar, destacando o papel essencial das famílias na gestão, organização e trabalho do campo. Foto: Coletivo de Comunicação ADAI Amazônia


Por Coletivo de Comunicação ADAI Amazônia

No dia 9 de outubro, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Professor Raimundo Gomes, localizada no distrito de Brejo do Meio, em Marabá (PA), recebeu a primeira atividade do projeto Produção Sustentável em Comunidades Atingidas da Amazônia.

O projeto busca fortalecer a autonomia, a segurança alimentar e as condições de vida das populações atingidas na região. É liderado pela Associação de Desenvolvimento Agrícola e Intermunicipal (ADAI) em parceria com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e conta com recursos do Fundo Amazônia e do BNDES.

O evento reuniu 259 participantes, sendo 232 estudantes a partir do 6º ano do Ensino Fundamental e estudantes do Ensino Médio, acompanhados por 27 membros da comunidade escolar e representantes institucionais — incluindo docentes, jovens educadores, merendeiras, pais e integrantes da Secretaria Municipal de Educação (SEMED).

Valorização dos saberes locais

A programação começou logo no início da manhã, com a mobilização de professores, alunos e direção para a preparação do espaço e montagem dos quiosques alimentícios. A profissional de Ciências Agrárias da Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (ADAI), Patrícia Assunção Costa, conduziu uma palestra explicativa detalhando a atuação do Fundo Amazônia, da ADAI e do projeto no incentivo a práticas agrícolas sustentáveis na região Araguaia/Tocantins.

Durante a apresentação, a palestrante abordou o conceito de agricultura familiar, destacando o papel essencial das famílias na gestão, organização e trabalho do campo, com foco central no cultivo da mandioca. Foram explicadas as diferenças entre a mandioca-brava e a mandioca-mansa, além do uso de nomenclaturas regionais como macaxeira e aipim.

A agrônoma expôs os variados processos de beneficiamento da raiz para a obtenção de derivados como farinha branca, farinha de puba, tapioca e tucupi. Para fixar os conhecimentos, os estudantes participaram de uma dinâmica interativa com perguntas sobre o tema e distribuição de brindes aos acertos.

A comunidade local poder refletir sobre agricultura familiar, destacando o papel essencial das famílias na gestão, organização e trabalho do campo. Foto: Coletivo de Comunicação ADAI Amazônia

Roda de conversa e educação ambiental

A programação também contou com a contribuição das representantes de Educação Ambiental da SEMED, entre elas Maria Antônia e Tamires, que salientaram a relevância de integrar a realidade do campo e as pautas ambientais ao currículo escolar.

Em um dos momentos mais marcantes da manhã, a agricultora familiar Maria Helena Mendes — participante do projeto e futura beneficiária do sistema de Horta PAIS (Projeto Agroecológico Integrado e Sustentável) — liderou uma roda de conversa em que partilhou saberes tradicionais sobre o preparo de farinhas e o cozimento do tucupi. O diálogo foi complementado pelas considerações do professor Marcos, que ressaltou o valor pedagógico da aproximação dos estudantes com as técnicas produtivas locais.

Em seguida, o público assistiu a apresentações dos próprios alunos e a uma intervenção cultural do grupo Boi-Bumbá Girassol do Campo, cujos dançarinos levaram ao espaço escolar elementos da identidade folclórica regional.

Na etapa prática, os participantes visitaram os quiosques organizados pelas turmas, que ofereceram degustação de pratos preparados com mandioca e ingredientes locais, incluindo caldo de frango, coxinha, biscoitos fritos, farofa de ovo, bolo de mandioca e café.

A ação cumpriu o objetivo de conectar conhecimentos técnicos e saberes tradicionais, promovendo a valorização da agricultura familiar, da cultura paraense e da conscientização sobre a produção sustentável na Amazônia.