O trabalho relacionou a compostagem ao manejo agroecológico e à conservação do solo, mostrando como resíduos disponíveis nas propriedades podem ser aproveitados para produzir matéria orgânica, reduzir queimadas e melhorar as condições dos cultivos.


Por Coletivo de Comunicação ADAI Amazônia

Na manhã de 4 de setembro de 2026, a comunidade de Campinho do Icatu, localizada no Quilombo São José do Icatu, em Mocajuba (PA), recebeu a 7ª Oficina Técnica de Compostagem. O evento fez parte da programação do 3º Encontro de Lideranças Locais e integrou o projeto Produção Sustentável em Comunidades Atingidas da Amazônia.

A iniciativa reuniu 41 participantes entre agricultores, lideranças comunitárias, jovens e técnicos regionais e foi promovida pela Associação de Desenvolvimento Agrícola Intermunicipal (ADAI), em parceria com o BNDES e o Fundo Amazônia, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Núcleo Interinstitucional de Estudos em Agroecologia do Baixo Tocantins, do Campus Cametá do Instituto Federal do Pará (IFPA).

A atividade combinou orientações teóricas com demonstrações práticas sobre manejo agroecológico e preservação do solo. A mobilizadora local Maria dos Anjos Corrêa Dias conduziu os trabalhos ao longo da manhã, reforçando o valor da matéria orgânica para a recuperação da fertilidade e para a retenção de umidade da terra.

Manejo sustentável e aproveitamento de resíduos

Durante o encontro, os participantes debateram os impactos negativos do uso contínuo de queimadas e da remoção total da cobertura vegetal nas propriedades. A equipe técnica apresentou o processo de montagem de composto orgânico, destacando a utilização de materiais facilmente encontrados nas propriedades rurais da região, como palhadas, folhas secas, cascas de frutas, caroço de açaí, palha de arroz e esterco de galinha.

A parte prática ensinou o equilíbrio correto entre materiais secos e úmidos, a importância do controle da umidade e a necessidade de aeração periódica para garantir uma decomposição eficiente. O uso de cinzas de forma moderada também foi abordado como alternativa técnica para o fortalecimento do composto.

Relatos da comunidade

A oficina proporcionou um espaço para que os moradores compartilhassem suas experiências e as mudanças graduais em suas rotinas de trabalho no campo. O agricultor Rosenildo Rodrigues, da comunidade Sulapinho, mencionou a transição do uso histórico das queimadas para métodos focados na preservação ambiental. Outros participantes relataram o fim do hábito de descartar resíduos vegetais nos igarapés, optando por mantê-los sobre o solo para criar cobertura morta e reter nutrientes.

Aspectos sobre a conservação da fauna local também foram levantados durante o diálogo comunitário. Lideranças comunitárias enfatizaram que a perda de fertilidade do solo afeta diretamente a produção de alimentos básicos, como a mandioca, atingindo com mais força as famílias de menor renda.

Fortalecimento produtivo

O encerramento da programação definiu o direcionamento para as próximas etapas do projeto nas propriedades locais. Entre as orientações encaminhadas estão o incentivo à separação diária de resíduos orgânicos, a eliminação de queimadas e o fortalecimento da cobertura do solo nas áreas destinadas à implantação do Projeto Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS).

A equipe técnica prevê visitas de acompanhamento para monitorar o desenvolvimento das leiras de compostagem e agendou uma nova oficina focada no uso de defensivos alternativos para o controle natural de pragas e doenças em hortaliças.