Atividade sobre produção e uso de adubos agroecológicos reuniu famílias beneficiárias de projetos do PAIS e Projetos Complementares, em Moju (PA). Foto: Coletivo de Comunicação DAI Amazônia


Por Coletivo de Comunicação ADAI Amazônia

No dia 13 de agosto, a Comunidade Remanescente Quilombola Oxalá de Jacunday, em Moju, no Pará, recebeu a oficina “Produção e uso de Adubos Agroecológicos”, reunindo 14 participantes entre homens e mulheres, sendo 7 deles beneficiários do projeto PAIS (Produção Agroecológica Integrada e Sustentável) e 2 beneficiários de Projetos Complementares.

Realizada de forma teórico-prática, a oficina teve como objetivo compartilhar conhecimentos e técnicas para a produção e utilização de adubos agroecológicos a partir de materiais disponíveis nas próprias propriedades e comunidades. A proposta busca contribuir para a melhoria da fertilidade do solo, a reciclagem de nutrientes, a redução da dependência de insumos externos e o fortalecimento de práticas sustentáveis de produção.

A atividade foi realizada pela Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (ADAI), em parceria com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e com recursos do Fundo Amazônia/BNDES.

Cuidado do meio ambiente

Durante a atividade, os participantes puderam refletir sobre a importância de compreender o solo não apenas como o espaço onde as plantas são cultivadas, mas como um organismo vivo, formado pela interação entre matéria orgânica, água, ar, minerais e uma diversidade de organismos. A partir dessa perspectiva, o cuidado com o solo passa a estar diretamente relacionado à qualidade da produção e à manutenção da vida no agroecossistema.

A formação também apresentou diferentes possibilidades de aproveitamento de materiais disponíveis nas propriedades, como folhas, palhas, esterco, cinzas e outros resíduos orgânicos. Entre as práticas trabalhadas estiveram a adubação verde, a compostagem e a produção de biofertilizante, alternativas que podem ser incorporadas ao cotidiano das famílias agricultoras.

Na compostagem, por exemplo, resíduos orgânicos como folhas, restos de frutas, verduras e podas de plantas podem ser transformados em adubo pela ação de microrganismos. Além de contribuir para a saúde do solo, a prática permite o aproveitamento agrícola de materiais que seriam descartados e pode representar economia para as famílias na produção de alimentos.

Outro conteúdo abordado foi a produção de biofertilizante, um adubo orgânico líquido obtido pela fermentação de materiais orgânicos. A técnica permite utilizar elementos encontrados no próprio agroecossistema, como esterco, restos vegetais, cinzas e melaço, contribuindo para a produção de alimentos e para a redução dos custos com insumos externos.

Estimular a autonomia das famílias

Momentos de formação como esses, com as famílias beneficiárias do PAIS, fortalecem não apenas o conhecimento técnico, mas também a capacidade de produzir e manejar recursos dentro da própria unidade produtiva. A proposta da oficina é justamente estimular a autonomia das famílias na produção de seus próprios insumos, valorizando os materiais disponíveis nas comunidades e os conhecimentos construídos a partir da realidade local.

“Do adubo a planta sempre vai precisar, por isso que a mata dá. Você tem uma estrutura que está derrubada e você aprende a usar para a planta em que tem interesse, que, nesse caso aqui, é o açaí. Se a gente pegar uma árvore que já está derrubada, levar ao laboratório, eles vão dizer quanto cada kg de folha tem de nitrogênio, potássio e fósforo pra gente saber como usar e como reaproveitar o que está aqui e muitas vezes não sabemos o que fazer”, destacou Marcio Ramos, agrônomo e facilitador da oficina.

A atividade também reforça uma perspectiva de produção que coloca o cuidado com o solo no centro do processo. Práticas como a cobertura do solo, a adubação verde, a compostagem e o aproveitamento de restos culturais contribuem para a ciclagem de nutrientes e para a manutenção da matéria orgânica, fortalecendo as condições para o desenvolvimento das plantas.

Ao aproximar teoria e prática, a oficina contribui para que as famílias possam experimentar alternativas sustentáveis em suas próprias áreas de produção, fortalecendo a agricultura familiar e a agroecologia como caminhos para uma produção mais autônoma e integrada ao território.

A realização da oficina na Comunidade Remanescente Quilombola Oxalá de Jacunday reafirma a importância de fortalecer processos de formação junto às comunidades beneficiárias dos projetos, valorizando os conhecimentos locais e ampliando as possibilidades para uma produção de alimentos baseada no cuidado com a terra, com a biodiversidade e com a vida.