Por Coletivo de Comunicação ADAI Amazônia

A Escola Municipal de Ensino Fundamental Infantil Coronel Romualdo da Costa, localmente reconhecida como EMEIF Quilombola de Arimandeua e Aripijó, acolheu uma jornada de aprendizado e valorização do território no último dia 21 de agosto.

A atividade “Nossa comunidade, nossa natureza: aprendendo a cuidar do lugar onde vivemos” reuniu alunos, educadores e a equipe organizadora para debater a preservação do meio ambiente a partir da realidade local. A iniciativa é uma realização da Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (ADAI), em parceria com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e com recursos do Fundo Amazônia/BNDES.

A ação envolveu estudantes do 3º, 4º e 5º ano, além de educadores e direção da escola. Um dos grandes diferenciais da atividade foi a integração do corpo docente, composto por moradores da própria comunidade. Os professores e o diretor participaram ativamente das dinâmicas ao lado das crianças, enriquecendo os debates com referências do cotidiano local e fortalecendo o identidade quilombola e o pertencimento ao território.

Aprendizado lúdico e mapa vivo do território

Conduzida por uma metodologia participativa, a programação contou com uma série de dinâmicas, na qual as crianças compartilharam vivências sobre o contato com a natureza e o cotidiano no campo ao responderem perguntas como “Quem gosta de brincar na natureza?”, “Quem já foi para a roça?” e “Quem gosta de açaí?”.

Na sequência, os alunos construíram coletivamente um “mapa vivo” de Aripijó e Arimandeua, registrando como os rios, as florestas e a agricultura familiar se conectam no dia a dia. Uma roda de conversa com o tema “A natureza está sempre igual?” estimulou a reflexão sobre as transformações no meio ambiente, abordando desmatamento, queimadas e cuidados com o lixo de forma acessível.

A equipe realizou com os participantes a dinâmica “Missão: cuidar da natureza”, usando imagens que motivem os alunos a identificarem práticas benéficas ou nocivas ao ecossistema. Durante a atividade, ficou evidente o vínculo das crianças com a terra, demonstrado na facilidade para reconhecer alimentos orgânicos da região em comparação aos produtos industrializados.

A manhã foi encerrada em tom festivo com o Bingo Ecológico, cujas cartelas traziam elementos da fauna e flora locais — como açaí, cupuaçu, mandioca, boto e jacaré —, distribuindo materiais escolares como premiação aos vencedores.

As crianças participaram com entusiasmo e espírito de colaboração durante as dinâmicas que valorizavam o território da comunidade Quilombola. Foto: Coletivo de Comunicação ADAI Amazônia

Vozes do território

A mobilizadora local do projeto pela ADAI, Maria dos Anjos Corrêa Dias, ressaltou a dedicação da equipe escolar e a necessidade de mais investimentos nesses espaços. “Projetos como esse deveriam chegar mais até esses espaços, e as escolas quilombolas deveriam receber mais incentivos para manter seu importante trabalho de resgate, valorização e perpetuação de conhecimentos tão importantes para todos nós”, destacou a mobilizadora.

O professor Dael José Rodrigues Pinheiro também reforçou a relevância do encontro para o ambiente escolar. “O desenvolvimento de atividades educativas com abordagem em educação ambiental é fundamental no ambiente escolar, pois contribui para conscientizar as crianças sobre a importância da preservação do meio ambiente… a atividade realizada pelo projeto foi de grande relevância, especialmente por ter sido desenvolvida de forma lúdica e por reforçar os conhecimentos e as práticas que já vêm sendo trabalhados em sala de aula relacionados ao cuidado e à preservação do meio ambiente”, lembrou o professor.

Para mais informações sobre o Fundo Amazônia e como a iniciativa tem impactado as vidas das famílias atingidas por barragens, clique aqui.