Recuperar, produzir e transformar: agricultores do PA fortalecem práticas sustentáveis
Atividade contou com a participação de agricultores que serão contemplados com iniciativas como o Projeto Agroecológico Integrado e Sustentável (PAIS). Foto: Coletivo de Comunicação ADAI Amazônia
Por Coletivo de Comunicação ADAI Amazônia
Agricultores do PA (Projeto de Assentamento) Boa Esperança do Burgo, em Marabá (PA), participaram, em 26 de agosto, da segunda Oficina Técnica do Projeto “Produção Sustentável em Comunidades Atingidas da Amazônia”. A atividade reuniu 23 agricultores e deu continuidade às discussões sobre recuperação de áreas degradadas, reflorestamento, conservação dos recursos naturais e adoção de sistemas de produção mais sustentáveis.
Durante a oficina, foram abordados temas relacionados à recuperação e conservação do solo, à proteção dos recursos hídricos e à importância de diversificar os cultivos. Também foram discutidas alternativas para que as famílias possam conciliar a produção de alimentos, a conservação ambiental e a geração de renda, levando em conta a realidade e as necessidades de cada propriedade.
A atividade contou com a participação de agricultores que integram as ações do projeto e que serão contemplados com iniciativas como o Projeto Agroecológico Integrado e Sustentável (PAIS) e projetos complementares, entre eles equipamentos para a casa de farinha e a despolpadeira. A oficina também proporcionou a troca de experiências com outros agricultores da comunidade, ampliando o diálogo sobre os desafios enfrentados no campo.
A iniciativa é executada pela Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (ADAI), em parceria com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), com financiamento do Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).


Recuperação e conservação do solo, proteção dos recursos hídricos e diversificação de cultivos foram alguns dos temas abordados na oficina. Foto: Coletivo de Comunicação ADAI Amazônia
Dificuldades na produção
Um dos relatos que se destacou foi o da agricultora Eliana de Oliveira N. Ribeiro, de 48 anos, moradora do PA Boa Esperança do Burgo. Ao falar sobre a realidade de sua propriedade, Eliana ressaltou a importância de recuperar áreas e diversificar a produção, destacando experiências da família com o cultivo de cacau, açaí e mandioca.
Segundo a agricultora, a família já enfrentou dificuldades no processo produtivo, inclusive relacionadas ao uso inadequado de produtos para controlar a vegetação. Em uma dessas situações, o produto utilizado para eliminar o mato acabou afetando também as plantas cultivadas, causando prejuízos à produção.
O relato reforçou uma das questões discutidas durante a oficina: a necessidade de buscar formas de manejo mais adequadas e sustentáveis, reduzindo os impactos sobre o solo, a água e os próprios cultivos.
Outro desafio apontado por Eliana foi a disponibilidade de água e as limitações para irrigar a produção. Atualmente, a família cultiva alimentos como melancia e feijão-verde, além de outras espécies, mas enfrenta dificuldades para garantir uma irrigação adequada. Para complementar o fornecimento de água às plantas, a família utiliza, inclusive, regadores.
Para a agricultora, a implantação do PAIS, que contará com equipamentos de apoio à irrigação e um sistema de energia solar, representa uma importante oportunidade para melhorar as condições de produção.
“A gente precisa de uma estrutura que ajude na irrigação, porque hoje não é suficiente para molhar tudo. Com o sistema de energia solar, vai ajudar muito, tanto na produção quanto na redução do custo da energia”, destacou Eliana.
A expectativa é que a estrutura possibilite ampliar a capacidade de irrigação e beneficiar não apenas os cultivos já existentes, mas também novas áreas de produção, incluindo hortaliças, leguminosas, frutíferas e outras espécies de interesse da família.
Sobre o projeto
O PAIS é uma tecnologia social, sendo um dos eixos dentro do projeto “Produção Sustentável em Comunidades Atingidas da Amazônia”, ao lado dos Projetos Complementares e Viveiros.
A iniciativa busca contribuir para o fortalecimento da produção agroecológica, da segurança alimentar e da geração de renda, com o uso de energia solar para irrigação e da realização de capacitações técnicas voltadas às famílias agricultoras. O projeto promove, portanto, práticas sustentáveis e amplia as oportunidades de desenvolvimento das comunidades rurais em que é implementado.
As ações realizadas em Marabá reforçam, assim, o compromisso com uma agricultura familiar mais sustentável, fortalecida pela participação das próprias comunidades e pela valorização dos conhecimentos e das potencialidades presentes nos territórios.
Para mais informações sobre o Fundo Amazônia e como a iniciativa tem impactado as vidas das famílias atingidas por barragens, clique aqui.
