Amapá

Iniciativa da ADAI, em parceria com o MAB, busca fortalecer a produção agroecológica e contribuir para a segurança alimentar e a geração de renda. Foto: Coletivo de Comunicação ADAI Amazônia


Por Coletivo de Comunicação ADAI Amazônia

No município de Porto Grande, no Amapá, uma visita técnica realizada no dia 3 de julho acompanhou a família de Miraci da Silva Picanço e Mauro, beneficiária do projeto “Produção Sustentável em Comunidades Atingidas da Amazônia”. A atividade foi conduzida pela mobilizadora Lúcia Silva e teve como objetivo acompanhar a produção e orientar a família sobre alternativas para diversificação das culturas.

Durante a visita, Miraci relatou as dificuldades enfrentadas pela família em razão das perdas nas plantações de mandioca provocadas pela chamada vassoura-de-bruxa, uma crise fitossanitária que vem afetando agricultores do Amapá desde 2024. Diante desse cenário, o cultivo do açaí surge como uma alternativa para diversificar a produção e contribuir para a recomposição da renda familiar.

Vassoura-de-bruxa tem sido um desafio para famílias beneficiárias do Amapá

“Estamos sem mandioca por causa da vassoura-de-bruxa. A roça está empestada… O nosso ramo era esse. Agora temos que buscar outra cultura para recomeçar, porque está difícil. Deu tangerina, mas ela só produz uma vez por ano. Está muito complicada a nossa situação nesses tempos”, relata Miraci.

A mandioca possui papel fundamental na alimentação e na economia das famílias agricultoras da região. Além de ser um dos principais alimentos consumidos pelas comunidades, a produção de farinha representa uma importante fonte de comercialização e geração de renda. As perdas provocadas pela doença, portanto, representam uma ameaça tanto à segurança alimentar quanto à sustentabilidade econômica das famílias.

A vassoura-de-bruxa é uma doença causada por fungo que pode comprometer o desenvolvimento da mandioca. Os primeiros sinais aparecem nas partes superiores das plantas, provocando ressecamento e deformação dos ramos e podendo levar à morte das plantas. A disseminação da doença tem despertado preocupação entre agricultores de diferentes municípios do estado devido ao potencial de impacto sobre uma das principais culturas agrícolas da Amazônia.

Fortalecendo estratégias

Em Porto Grande, a situação é acompanhada de perto pela equipe da Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (ADAI), em parceria com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que atua junto às famílias agricultoras atingidas e busca fortalecer estratégias para enfrentar os impactos socioambientais e econômicos vivenciados pelas comunidades.

A ADAI, em parceria com o MAB, vem apoiando agricultores a encontrarem alternativas de produção e geração de renda

Nesse contexto, a ADAI, em parceria com o MAB, desenvolve ações voltadas à implantação de sistemas agroecológicos e à diversificação produtiva. Entre as iniciativas está o cultivo do açaí, acompanhado por assistência técnica e visitas às propriedades das famílias beneficiárias.

A proposta é contribuir para que os agricultores tenham novas possibilidades de produção e geração de renda, reduzindo a dependência de uma única cultura e fortalecendo a capacidade das famílias de enfrentar períodos de crise.

Para Miraci, a implantação do açaí representa uma perspectiva de futuro para a família. “Plantar açaí com a irrigação do projeto vai ajudar a gente a dar um futuro melhor para nossa família”, afirma a agricultora.

A visita técnica reforça a importância do acompanhamento contínuo das famílias beneficiárias, especialmente diante dos desafios enfrentados pela agricultura familiar na região. A diversificação das culturas, aliada ao suporte técnico, pode contribuir para fortalecer a produção sustentável, a segurança alimentar e a autonomia econômica das comunidades atingidas.