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A Amazônia é um dos mais ricos biomas do mundo e ocupa mais de 5 milhões de quilômetros quadrados em 9 países da América do Sul. Concentra grandes áreas e uma rica diversidade de plantas e animais, grandes reservas minerais, grandes extensões de rios, igarapés e lagos.

A exploração indiscriminada nesse território tem causado inúmeros impactos a todo esse patrimônio social, ambiental e cultural. A região vem sendo ameaçada por uma diversidade de práticas econômicas predatórias como mineração, extração de madeira em larga escala, latifúndios de criação de gado e plantação de soja, e projetos de infraestrutura como hidrovias, ferrovias, portos e hidrelétricas. Esses projetos têm por consequência a destruição da fauna e da flora, contaminação dos solos e das águas, perca da biodiversidade, expulsão de populações tradicionais, extinção de grandes reservas de recursos naturais.

Na visão da ADAI, há dois modos antagônicos de olhar para a Amazônia. O primeiro é o das grandes empresas e governos alinhados com a ideologia capitalista, que enxergam a região como fronteira para expansão da exploração predatória e indiscriminada, visando o aumento dos lucros, sem se importar com a preservação de recursos estratégicos para a vida no planeta. Entendemos que esse modelo não afeta somente as populações e o meio ambiente local, mas o conjunto da sociedade, seja pela perca de um patrimônio que é do povo, seja pelos impactos sociais e ambientais que afetam o conjunto da sociedade.

O outro olhar, oposto a esse, é o olhar dos ribeirinhos, indígenas, quilombolas, pequenos agricultores, operários, nativos e migrantes que vieram a essa região de todos os cantos do país em busca de uma vida melhor. Esse olhar vê o ser humano em convivência com a floresta. Esse é o olhar dos saberes tradicionais, que cultiva as sementes, promove alternativas agroecológicas, conhece os rios e os peixes, que tem uma cultura riquíssima expressa na música, na alimentação, no artesanato, nos costumes. Os Atingidos por Barragens na Amazônia partilham desse mesmo ponto de vista. Por isso, lutamos e nos organizamos nas regiões onde as barragens deixaram o rastro de destruição e também onde há ameaças desses projetos.

Defendemos que esse patrimônio seja do e para o povo, sob a lógica do uso sustentável e a serviço das reais demandas de toda a sociedade. Por isso, a nossa luta em defesa desse território e desse patrimônio deve ser de todos e todas que estão preocupados com o futuro do planeta e das futuras gerações.